Mapeamento de intensidade

O principal objetivo é identificar a distribuição bariônica em grande escala, e para isso nos últimos anos foram desenvolvidos diferentes projetos, como por exemplo o BOSS, ou o trabalho pioneiro com DR3-SDSS. Em ambos, a matéria é identificada através do conteúdo estelar das galáxias.

Numa abordagem mais geral, a forma mais directa de detectar matéria deveria ser através do elemento mais comum (dentro dos 5% da matéria “normal”) no Universo … que é o hidrogênio atômico.

O HI está por todo o lado. A dificuldade está no facto de ser extremamente difícil de detectar, porque o átomo irradia via um fenômeno extremamente improvável: um fóton é emitido quando o spin do elétron e do protão mudam de uma configuração paralela para uma configuração antiparalela, ocorrendo uma transição espontânea a cada 10 000 000 anos!  A radiação é observável em λ = 21cm ou ν = 1.421 GHz no referencial próprio. Por ser tão improvável, para ser detectado, a região a observar deverá ser muito extensa ou a área de coleta muito grande, caso do futuro interferômetro Square Kilometer Array (SKA).

O BINGO é acerca de uma terceira e, de alguma forma, intermédia, possibilidade: medir as variações HI em grande escala com um telescópio modesto em termos de área colectora, utilizando uma nova tecnologia chamada mapeamento de intensidade. No mapeamento de intensidade, todos os fótons, (neste caso de hidrogênio) contam, o S/N não sendo relevante (pode ser tão baixo quanto 1).

a partir do projecto BOSS

A principal motivação é identificar os BAO, e para tal é apenas necessário identificar as flutuações em larga escala da distribuição do HI, sem necessidade de diferenciar as fontes individuais, isto é as galáxias.